12/09/2007

• A chave para o equilíbrio do ser

Através da percepção de que nós, humanos, somos apenas mais uma criatura na maravilhosa criação. É fundamental equilibrar nossa relação com as outras criaturas - humanas e não humanas - e com o universo como um todo

O xamanismo é a mais antiga das espiritualidades. Elementos do xamanismo são encontrados na base de praticamente todas as religiões. Podemos descrever o xamanismo como uma espiritualidade que vê a Natureza como viva e, portanto, sagrada. “Tudo no universo tem vida, e é dessa percepção que surge a interação sagrada entre as pessoas, entre um indivíduo e seu amigo, sua família, seu trabalho ou seu alimento”, explica Cláudio Quintino Crow, 38 anos, escritor, instrutor e especialista em druidismo e xamanismo celta.

Existem diversas vertentes xamânicas, cada qual associada à linguagem, à prática e à ética de uma cultura. “Não se trata de uma religião organizada, ou de uma seita, mas de uma forma de vivenciar o dia-a-dia com sacralidade, resgatando os valores perdidos pela moderna sociedade ocidental e promovendo a cura do indivíduo, da comunidade e da Terra como um todo”, lembra Crow.

O resgate da sacralidade de nossas vidas, de nossos corpos, de nosso trabalho é um dos pontos chave do trabalho xamânico. “Em primeiro lugar, é preciso recompensar as três esferas de nossas vidas: a física, a mental e a espiritual. A dessacralização da matéria é um fardo doloroso que carregamos - afinal, a palavra "matéria" vem do latim "mater", mãe

Negar a matéria é, portanto, negar a mãe - o princípio criador, a vitalidade e generosidade da vida”, diz explicando que a honra ao equilíbrio entre as polaridades masculinas e femininas na natureza e em nossas vidas é um dos princípios fundamentais do xamanismo, encontrado nas crenças de povos atuais como os Maori na Nova Zelândia, a cultura tupi-guarani e os nativos americanos, e também em diversos povos da Antigüidade, como os gregos, os egípcios e os celtas. “A partir desse conhecimento, quem pratica o xamanismo restabelece o equilíbrio perdido em sua vida. Além disso, através das cerimônias xamânicas sazonais, resgata-se a compreensão da ciclicidade da vida, e a beleza do nascer, crescer, declinar e morrer para renascer. 

Em última análise, o xamanismo nos devolve a compreensão do que é a vida, aumentando nossa capacidade de sermos senhores de nossos próprios destinos e tornando-nos mais conscientes e responsáveis por nossos atos e omissões, palavras e silêncios”, garante.

O xamanismo trabalha com o canal da cura, o conhecimento do poder das plantas, pedras, dos espíritos animais e seres da natureza. O xamanismo não impõe barreiras éticas ou culturais, pois fala a linguagem da alma diretamente. “Como costumo dizer, quem conhece de verdade os princípios da sua religião abre as portas do diálogo para com todas as outras religiões - basta que o outro lado também pense assim”, conta acrescentando que justamente por isso o xamanismo é um caminho aberto a quem quer que se identifique com esses princípios e deseje aplicá-los em suas vidas.

Segundo Crow imaginar um mundo no qual não exista intolerância filosófica e espiritual, e que cada um possa seguir seu caminho com consciência e individualidade, sem precisar seguir mestres, gurus ou líderes, seria viver o xamanismo. “Um mundo de indivíduos conscientes, em harmonia com a comunidade da qual fazem parte, com seus corpos, suas mentes e suas almas, em que a vida é uma celebração sagrada e alegre, leve e consciente, inspirada e corriqueira, seria um mundo ideal para vivermos em paz”, acredita o escritor.

Xamanismo no Brasil

No Brasil o xamanismo é constante em todas as etnias indígenas brasileiras, sendo o xamã conhecido como pajé na língua tupi. Elementos xamânicos podem ser identificados em praticamente todas as religiões e espiritualidades do mundo. As variações culturais dão a identidade única a cada manifestação xamânica, e a identificação com este ou aquele caminho xamânico vai muito da individualidade de cada pessoa.

Há muitos que, por herança sangüínea ou identificação cultural, se identificam com o xamanismo guarani. Mas há também muitos indivíduos que se identificam mais com o xamanismo das nações indígenas da América do Norte, como os Lakota ou que se sintam atraídos pelos aspectos xamânicos do druidismo, a espiritualidade celta. “Nenhum desses caminhos se exclui, todos se complementam, pois apesar de linguagens diferentes, todos transmitem a mesma mensagem de união com a criação e equilíbrio consigo mesmo”, diz Crow.

Assim, atualmente é possível encontrar no Brasil pessoas que praticam xamanismos de diversas partes do mundo, de forma harmoniosa e honrosa. “Lembro-me que a editora de um de meus livros sobre xamanismo celta, ao apresentar esse livro a um importante nome do xamanismo guarani, ouviu dele sejam bem-vindos - falamos a mesma linguagem. Fiquei orgulhoso de ter o trabalho reconhecido por um dos nomes do xamanismo brasileiro que mais me inspira”, finaliza.



Mais Informações:
Claudio Quintino Crow
E-mail: contato@claudiocrow.com.br
Site: www.claudiocrow.com.br

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