• Saiba lidar com as disfunções sexuais masculinas

• por Dr. Carlos Eduardo Prado Costa - CRM/SC 7222

As disfunções sexuais masculinas compreendem a disfunção erétil, ejaculação precoce e perda de libido. Atualmente as disfunções sexuais, particularmente a disfunção erétil representam um marcador preditivo de problemas cardiovasculares e de diabetes no homem. Um homem que não tenha nenhum sinal ou sintoma de diabetes (excesso de sede, fome exagerada principalmente por doces, dificuldade de cicatrização de feridas, ou glicemia sanguínea de jejum elevada em mais de uma ocasião, superior a 99 ng/dl ou muito acima disso), pode ter na disfunção erétil um sinal de alerta para essa doença. Da mesma forma que falamos da diabetes, assim é com a hipertensão arterial, com as doenças cardiovasculares e outras doenças relacionadas ao aparelho endócrino como as doenças da tireoide, hipófise anterior e supra-renal.

A perda de libido também pode estar relacionada com alterações hormonais. Tanto pela alteração direta nos níveis de testosterona causada pelo envelhecimento natural do homem (lembrando que essas alterações já podem ocorrer a partir dos 45 anos, como por problemas em glândulas que vão afetar os níveis de testosterona. Problemas na hipófise anterior a que venham alterar a produção de FSH e LH que no homem são hormônios que estimulam o amadurecimento das células de espermatozoides e de testosterona no testículo. Nas supra renais que produzem alguns androgênicos e também hormônios que são indicativos de estresse como ACTH e cortisol que quando aumentados podem acarretar aumento da pressão arterial, doenças cardíacas como arritmias e predispõe o individuo ao risco de doenças coronarianas, por contribuírem para mudanças no metabolismo aumentando a possibilidade de elevação do colesterol ruim (LDL), glicemia, além de alterações endócrinas que contribuem para elevação do estrogênio (hormônio feminino) no homem.

A ejaculação precoce esta mais relacionada com o próprio indivíduo e com o seu próprio “time” orgástico e ejaculatório e o quanto consegue controlá-lo. De maneira bastante simplificada, podemos dizer que uma via nervosa aferente parte da glande peniana em direção à medula e desta saem nervos da cadeia simpática, mediados pela noradrenalina e nervos somáticos, mediados pela acetilcolina. Esses nervos são responsáveis por uma série de eventos que culminam na ejaculação. O sistema nervoso central tem um papel modulador, ora facilitando, ora inibindo o orgasmo. A serotonina tem um importante papel modulador do orgasmo, podendo retardá-lo.

Todas essas disfunções podem ser acarretadas por problemas psicológicos como medo de falhar, traumas dentre outras, mas não podemos fazer dessas causas fatores determinantes e sim buscarmos antes de qualquer coisa uma causa orgânica. Lembrando que o pênis é na visão do homem, é seu “principal” órgão, então nós médicos temos que nos aproveitar disso para buscarmos uma causa pertinente para o problema que venha salvaguardar a sua vida como um todo não somente a vida sexual. O lema “Sexo é Vida” cabe somente para marketing e propaganda, o pensamento certo é Vida para ter Sexo com qualidade.

As preocupações e a ansiedade frente a todas as situações que a vida nos oferece de desafios, afeta a vida sexual do homem tanto quanto da mulher. O sujeito que esta sempre se colocando em desafios ou é desafiado constantemente por problemas ou metas institucionais ou até mesmo pessoais que fazem com que a maioria do tempo esteja com seus pensamentos focados nessas situações passa a ter um obsessão. E toda obsessão é patológica e leva o sujeito a se tornar primeiro ansioso e depois deprimido.

Uma coisa é você ter as preocupações naturais da vida em seus diferentes estágios, outra coisa é fazer das preocupações uma obsessão. Algumas vezes os problemas e desafios são tão imensos que o sujeito passa a viver tão ligado que passa a liberar hormônios que vão aumentar a pressão arterial, o trabalho cardíaco através do mecanismo de vasoconstricção arterial (contração das artérias), que vai afetar sua vida sexual, principalmente a qualidade da ereção. E a partir do momento que afeta a vida sexual, a ansiedade toma conta e o sujeito passa a se ver como impotente para todas as situações, inclusive para sua “válvula de escape” o sexo!

Quando atinge a vida sexual o sujeito começa um processo de depressão, que o faz ficar desmotivado não só para o sexo, mas para suas outras atividades. Na maioria das vezes é indicado o uso de um antidepressivo e ansiolítico, mas que resolve em parte, mas a vida sexual piora e o desejo foi de vez embora.

A ansiedade e a depressão podem levar a um aumento de hormônios como o ACTH e o cortisol, que podem alterar o mecanismo hormonal levando, por exemplo, a uma elevação do estrogênio, e mudanças nos níveis de testosterona. Essas alterações se não corrigidas podem aumentar os sintomas de depressão e piorar o desejo sexual além de seu desempenho. Homens que mesmo usando antidepressivos que não melhoram seu humor, ou em uso de ansiolíticos que continuam irritadiços, procurem seu médico e peça par realizar seus exames hormonais além de incluir o ACTH e cortisol sérico.

Como já expliquei, mas vou usar uma frase que uso para meus clientes: “nem todas as disfunções são psicológicas, mas todas têm componentes psicológicos”. É muito raro um homem que apresenta uma disfunção sexual que não fique psicologicamente abalado. Agora temos que focar nos fatores de risco.

Para se ter desejo e este desejo se reverter em ereção e numa relação prazerosa para o casal, é necessário entender que todos esses mecanismos estão intimamente relacionados com: sistema nervoso central (SNC), sistema nervoso periférico, sistema endócrino e cardiovascular. Portanto os fatores de risco a serem combatidos são os mesmos para prevenção de doenças cardiovasculares: sedentarismo, obesidade, diabetes, tabagismo, uso abusivo de álcool, colesterol e triglicérides elevados.

Além dos fatores de risco cardiovascular temos de ter cuidado em evitar doenças que os seus tratamentos e a sua existência podem levar a uma disfunção sexual, principalmente a disfunção erétil, tais como: doenças da próstata, câncer de intestino grosso e reto (Câncer de cólon e reto), doenças hepáticas (fígado), doenças da tireóide.

O diagnóstico é sintomático, ou seja, o paciente já traz o problema relatando o caso. Cabe ao médico ir à busca da causa orgânica ou psicológica. No consultório deve ser feito uma investigação clinica bem feita indo à busca de fatores de risco, hábitos de vida que devem ser modificados e história social. O exame físico deve partir do geral ao específico quando devem ser examinados os genitais e realizando o Doppler de artérias dorsais do pênis que nos casos da disfunção erétil pode ser necessário o teste de ereção farmacológico. Devem-se solicitar exames laboratoriais verificando perfil lipídico, diabetes, dosagens hormonais, PSA e outros pertinentes a cada faixa etária.

O tratamento depende da causa da disfunção e pode variar desde o controle de uma pressão ou diabetes mal controlada até tratamentos específicos que podem levar a mais ou menos nove meses de tratamento e acompanhamento. Pelas disfunções sexuais demandarem quase sempre um tratamento individualizado e multidisciplinar além de um tempo maior nas consultas e retornos, esses tratamentos são sempre particulares, porque os custos não são cobertos planos de saúde. Os vasodilatadores são um tipo de tratamento para ereção assim como reposição hormonal, mas muitas vezes precisamos de uma associação de medicamento que necessitam de um maior cuidado.

Quando a parceira perceber que o parceiro esta tendo dificuldade no relacionamento sexual, ou porque a ereção não é suficiente para penetração, ou porque diminui durante o ato e, além disso, a ejaculação é rápida não aborde com gracinhas ou com desconfiança. O homem já percebeu que tem um problema e uma forma muito comum de encarar esse problema é se afastando da cama. Se seu parceiro, demora para ir para o quarto, ou arranja uma desculpa freqüente para dormir, sempre indo para cama quando você já está dormindo e não procura mais você, ele está com problema e está com medo de “falhar” ou fazer você perceber que esta com disfunção sexual.

É muito comum que as parceiras quando se deparam com a situação descrita acima, desconfiarem de traição ou de perda de interesse e buscam também um afastamento ou ficam irritadiças cobrando a suposta infidelidade do parceiro. Converse encare o problema de frente sem piadinhas ou piedade. Leve seu parceiro ao médico, lembre a ele da hipertensão mal controlada, do diabetes que nunca deu bola e da única “loira” que faz com ele te traia e inclusive com os amigos, a “loira gelada”, ou melhor, as “loiras geladas.” Seja realmente uma parceira, fuja do sentimento de piedade, seja realista e cobre dele uma postura firme frente a sua saúde.

Evitar a automedicação e profissionais e clinicas que prometem milagres como cura ou apelam para o sentimentalismo. Busque profissionais clínicos que tenham histórico profissional em tratamento de disfunções, membros de sociedades voltadas à medicina sexual, além de endocrinologistas que tenham histórico de atuação nessa área além de urologistas. Quando o homem se aventura em busca milagrosa e não melhoram aumenta ainda mais a ansiedade por conta da sensação de impotência.

A anorgasmia ou dificuldade de chegar ao orgasmo das mulheres é uma disfunção sexual bastante complexa. As disfunções sexuais femininas são mais complexas, pois não é só com medicação que se resolve ou ameniza. As disfunções sexuais masculinas por mais complexas que sejam, acabam tendo um prognóstico melhor porque o homem percebe a melhora “literalmente” a olhos vistos. A mulher sofre mais porque muitas vezes tem que fingir o orgasmo e mostrar estar satisfeita. Porém no intimo esta em frangalhos, com vontade e com desejo ainda, pois não chegou lá.

Essa situação piora quando com o tempo o parceiro percebe que a parceira não chega ao orgasmo e acha que tem ejaculação precoce, e busca tratamento, mas não tem nada de anormal. Da mesma forma que normalmente, a parceira se preocupa com a saúde de seu parceiro, nós temos que ajudá-la a buscar tratamento, com calma e sem pressão. Tanto para homens como mulheres, nunca, e nunca mesmo se afastem da vida sexual com seu parceiro, tratem isso com naturalidade trocando caricias e buscando o amor, essas atitudes aliada aos avanços da medicina nessa área vocês vão atingir o sucesso.

Ao todo, 48% dos homens brasileiros têm algum tipo de disfunção sexual. Maior incidência a partir dos 40 (quarenta) anos. O único ambiente e situação que afeta ou piora o desempenho sexual ou pode piorar uma disfunção de hostilidade e desconfiança por parte da parceira. Os ambientes e situações dependem do “fetiche” ou das “fantasias” de cada um. Tem homem que não gosta de ter relação, por exemplo, quando esta em casa de amigos ou parentes, para outros a sensação de ser flagrado com a parceira é estimulante e assim vai.

A camisinha é um “mal necessário”, também é conhecida como “touca” de dormir. Isso acontece porque o sujeito tem que dar uma “travada” naquele clima sensual para se concentrar em colocar a “touca”, digo, a “camisinha” e ai dependendo da pressa de se colocar, é liberado adrenalina e a ereção começa a ceder. Aí, amigo e amiga, o negócio é começar de novo sem pressão. O melhor é que a parceira ajude a colocar a camisinha, carinhosamente e sensual.

• Dr. Carlos Eduardo Prado Costa (CRM/SC 7222) é médico membro da Sociedade Internacional de Medicina Sexual e membro da Sociedade Brasileira de Clínica Médica. Presta assessoria em saúde pública e privada em todo o Brasil. É palestrante e realiza mensalmente conferências, especialmente sobre a Saúde do Homem. É autor do Programa Ictus Homem. Atualmente é médico em Florianópolis, Joinville e Timbó/SC. Contato: pradocosta12@hotmail.com

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