• Mamografia para salvar vidas

Dra. Maira Caleffi - Presidente Voluntária da Federação Brasileira de Entidades Filantrópicas
de Apoio à Saúde da Mama – FEMAMA - 
Credito: Tom Dinarte

Por Dra. Maira Caleffi

No dia 5 de fevereiro é comemorado o Dia Nacional da Mamografia. A data foi instituída há quatro anos para sensibilizar a população sobre a importância de realizar o exame para a detecção precoce de um dos tipos de câncer que mais matam no mundo, o câncer de mama. 

Para entender a importância da mamografia neste cenário, basta ter em mente que quanto mais cedo um tumor é descoberto, menos agressivo e dispendioso é o tratamento e maiores são as chances de cura. Para se detectar um tumor com poucos milímetros de diâmetro, antes mesmo que ele seja perceptível pelo toque, a mamografia é a melhor alternativa disponível. Em outras palavras: este exame representa um dos principais caminhos para que uma doença, que hoje é curável, deixe de fazer tantas vítimas fatais.

Ontem, coincidentemente, foi o Dia Mundial do Câncer. A data colocou luz sobre a importância do diagnóstico precoce no combate ao câncer em nível global, integrado à promoção de um estilo de vida saudável, ao acesso ao tratamento para todos e ao aumento da qualidade de vida para os pacientes oncológicos. Porém, essa prática não tem sido a realidade de milhares de brasileiras.

Dados de um estudo realizado pela Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), em parceria com a Rede Goiana de Pesquisa em Mastologia, apontaram que, em 2013, menos de 25% das mulheres entre 50 e 60 anos no Brasil fizeram o exame pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Este índice é quase três vezes menor que o recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que é de 70% de realização deste exame em mulheres com mais de 40 anos. 

Ainda segundo o documento, das mais de 10 milhões de mamografias aguardadas pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca) em 2013 em mulheres desta faixa etária, apenas 2,5 milhões foram realizadas de fato. Um dos motivos é a má distribuição dos mamógrafos espalhados pelo País. Grande quantidade dos aparelhos está concentrada nas capitais, enquanto as áreas afastadas ficam completamente descobertas. A maioria deles está no Sul e no Sudeste, e uma pequena parte no Norte, Nordeste e Centro-Oeste. 

A dificuldade de acesso à mamografia resulta em diagnósticos tardios. Um relatório elaborado pelo Tribunal de Contas da União (TCU) aponta que, em 2010, metade das pacientes diagnosticadas no SUS já estava com câncer de mama em estágio avançado. Essas mulheres, além de terem as chances de cura muito reduzidas, ainda precisam travar duras batalhas, pois os medicamentos mais modernos, que hoje são cobertos pelos planos de saúde, não estão disponíveis na rede pública. Neste ponto, mais uma vez o Brasil esbarra nas estratégias definidas mundialmente para o combate à doença, restringindo acesso ao tratamento que garante maior qualidade de vida e tempo livre de progressão da doença a pacientes com metástase. 

Frente a este quadro, é importante que a mulher exija seu direito ao diagnóstico precoce do câncer de mama, que também é o direito à preservação de sua vida. É necessário realizar exames clínicos das mamas regularmente com o ginecologista ou mastologista, procurar o médico em caso de alterações percebidas nos seios e realizar a mamografia anualmente a partir dos 40 anos, independentemente de onde essa mulher resida. 

*Presidente Voluntária da Federação Brasileira de Entidades Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama – FEMAMA 

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