• Saiba quando a perda de memória deve preocupar

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Especialista do Hospital Villa-Lobos explica quais doenças podem desencadear os "esquecimentos" e mostra que nem sempre o Alzheimer é a principal causa

Esquecer a senha do cartão de crédito, a lista do supermercado, o local onde guardou as chaves, o nome daquele conhecido que não vê há algum tempo. É raro que alguém nunca tenha passado por uma situação dessas ou todas. Na maioria dos casos, é só consequência do estresse diário: tanta coisa para lembrar, tantos números para memorizar. No entanto, em algumas circunstâncias, é melhor ficar alerta. A perda de memória constante pode estar atrelada a uma série de doenças. "Pode ser só um estresse na vida diária, um déficit de atenção em detalhes, que causa pequenos esquecimentos. Mas pode ser consequência de distúrbios psiquiátricos como a depressão ou demências, como o Alzheimer", explica o neurocirurgião do Hospital Villa-Lobos, Joel Augusto Teixeira.

A associação entre perda de memória e Alzheimer se justifica na medida em que esse é o primeiro sintoma a ser percebido na doença. Estima-se que existam no mundo cerca de 35,6 milhões de casos. Até 2050, mais de 106,2 milhões no mundo viverão com a patologia, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). No entanto, quando é que o médico começa a desconfiar de que o esquecimento pode ser Alzheimer? "Essa é geralmente a maior suspeita por ser a causa mais frequente. Mas deve-se descartar outras causas com exames de ressonância magnética, de sangue e fluxo sanguíneo nas artérias carótidas", detalha o especialista. A ressonância, nesse caso, é importante, pois mostra a atrofia de uma estrutura do cérebro chamada hipocampo, região responsável pela memória.

Porém, outras doenças podem provocar tais lapsos. Pessoas que sofrem com problemas de tireoide, por exemplo, podem ficar mais esquecidas, já que essa glândula, quando alterada, pode impactar o funcionamento de todo o organismo, inclusive do cérebro. Enfermidades como diabetes, hipertensão, tumores, doenças neurodegenerativas (como Parkinson e Esclerose) e algumas infecções também podem provocar tal sintoma. Lesões ou traumas na cabeça, bem como a falta de oxigenação no cérebro - consequência de uma parada cardíaca, por exemplo - podem estar entre as causas. Além disso, o uso de determinados medicamentos, abuso de álcool ou drogas e a falta de vitaminas no organismo podem desencadear falhas na memória.

O médico ressalta ainda que, ao contrário do que muitos pensam, o envelhecimento natural não causa esquecimento, mas sim aumenta a incidência de quadros demenciais. "O indivíduo que não tem nenhuma destas doenças e envelhece não tem perda de memória", diz. Segundo ele, a melhor forma de prevenção é investir no treinamento cerebral (leitura, jogo de xadrez, palavras cruzadas, etc) e em uma dieta rica em vitaminas. "A medicina ainda não tem uma resposta definitiva a esse respeito. Estudos epidemiológicos mostram que fatores como treinar o cérebro e cuidar da alimentação podem ser benéficos para atrasar ou evitar a doença. Mas estudos mais específicos precisam ser feitos para comprovar esta hipótese", diz.

Ele explica que dietas ricas em gorduras saturadas estão associadas a um risco maior de desenvolver a patologia. Já dietas típicas de regiões mediterrâneas, o vinho, alguns tipos de chás, vitaminas como A, C, E, B12 e microelementos como Selênio e Zinco podem ajudar a proteger o cérebro. A prevenção se justifica: de acordo com um estudo realizado pela Universidade de Cambridge, Inglaterra, um em cada três casos de Alzheimer poderiam ter sido evitados. 

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